NOTÍCIA 
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| Barreiros recebe barracas da Inglaterra |
Barreiros recebe barracas para desabrigados vindas da Inglaterra.
No Recife, famílias que sofrem as consequências das chuvas dividem espaço em abrigos.
Já começaram a ser instaladas, nesta segunda-feira (5), as primeiras barracas inglesas (fotos 1 a 5) que vão servir como casa para os desabrigados das chuvas no interior do Estado. Cerca de mil pessoas vão ser beneficiadas imediatamente em Barreiros.
As caixas vieram da Inglaterra, doadas a um grupo de ação humanitária do Rotary Internacional. Cada uma tem um kit completo de sobrevivência para ser usado em casos de tragédias que destroem cidades. São utensílios domésticos como talheres e fogareiro e uma barraca que ocupa uma área de 25 metros quadrados, podendo abrigar até dez pessoas.
As tendas vão permitir que fiquem, de novo, embaixo de um mesmo teto famílias que tiveram as casas destruídas durante as enchentes. O material é resistente e pode servir de moradia por até três anos. As primeiras 200 unidades, que podem alojar até duas mil pessoas, vão para o município de Barreiros. “A nossa luta é que cheguemos a 3 mil barracas, ou seja, abriguemos até 30 mil pessoas”, falou o representante do Rotary, Francisco Leandro de Araújo Júnior (foto 6).
Ingleses do Rotary Internacional dizem que mil barracas já foram doadas à instituição e que outras duas mil são necessárias para os desalojados de Pernambuco e de Alagoas. Um deles, que também esteve na Indonésia logo depois do tsunami, disse que ficou impressionado com a destruição das cidades nordestinas.
NO RECIFE
Depois de perder casas e móveis por causa das chuvas, no Recife, algumas pessoas têm que aprender a dividir tudo em espaços comunitários. Essa realidade é enfrentada todos os dias nos abrigos.
O prédio de uma antiga escola, no bairro da Imbiribeira, foi alugado pela Prefeitura e transformado em abrigo. Virou moradia para 34 famílias que tiveram de sair de casa às pressas para salvar as vidas. Quem antes era vizinho divide agora o mesmo quarto. “Nesse quarto vivem oito pessoas, são cinco famílias”, disse a costureira Roseane da Silva Azevedo.
E para a convivência ser pacífica, há regras para tudo. Tarefas e horários foram estabelecidos em conjunto, e estão nos cartazes para ninguém esquecer. Assistentes sociais ajudam na conciliação, quando é necessário. No entanto, não tem sido fácil ficar longe de casa.
Era madrugada quando a barreira deslizou por cima da casa de Inalva Ferreira, 63 anos, no bairro de Dois Unidos. Ela está no abrigo há duas semanas. No local, o sono é mais tranquilo, ela não tem medo da chuva, mas Inalva está ansiosa para ir embora. “É muito ruim, porque a gente, na casa da gente, faz o que quer. Aqui tem hora para dormir, e para comer a gente tem que esperar pelos outros. Elas tratam a gente muito bem, mas em na nossa casa é melhor”, falou.
Em outro quarto, duas mães dividem as angústias. A água invadiu as casas delas, no bairro da Várzea. “Era só um barraquinho, mas era meu. Era bom porque lá tinha minhas coisinhas”, disse a dona de casa Lidiane Maria da Silva.
“O prefeito organizou um grupo gestor e estamos discutindo alternativas. Estamos dando todo o acompanhamento para elas terem o retorno”, afirmou a secretária de Assistência Social do Recife, Karla Menezes.
Ester, 9 anos, mostra como a família, de 6 pessoas, sente saudade quando lembra de casa. “Eu prefiro como estava antes, porque eu estava na minha casa. Podia estudar e brincar”, contou. Antônia Cecília da Silva, mãe de Ester e de mais quatro meninos, está muito preocupada. Ela é faxineira e morava perto das casas onde trabalhava. “Agora fica difícil, porque não tem como ir trabalhar. Não tem nem dinheiro para a passagem”, lembrou.
Quem quiser ajudar as famílias que estão nos abrigos do Recife pode doar roupas, sapatos, fraldas e produtos de higiene pessoal, como pasta de dente e sabonetes. O material deve ser entregue no Instituto de Assistência Social e Cidadania (Iasc), na avenida Visconde de Albuquerque, 297, na Madalena, ou na sede da prefeitura do Recife, no Cais do Apolo.
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